Estrela consonante.
Teu sorriso minguava
em mandarim,
eu não sabia entender.
Entre dentes,
guarde teus minutos
para quem os ouça,
não envoltos na mortalha.
Eu ouço.
Sem rodeio,
reféns da metáfora,
tenda de cartomante.
Não tive linha
para colher palavras.
Não percebi nada,
imerso em sono pesado,
leve descuido,
incômodo e equívoco.
Não vi teus passos.
Em noites brancas,
não há limites
para o litoral,
sempre aflito,
embriagado de ressaca.
Fagulha de fogo
atingiu a relva seca.
Meu espelho não refletiu,
o cheiro ficou surdo
e o mundo, cego.
O eterno nasceu morto,
deixando órfão o remorso.
*texto escrito em 13 de outubro de 2005
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